3 de outubro de 2013

Refeição e convívio



Alimentar-se é um ato banal? - Para o homem moderno, habituado à banalidade, certamente. Mas, em si, é ação nobre e rica em significados.

Deus quis colocar no alimento a prova de nossos primeiros pais. O “fruto proibido” que está na raiz do pecado original, simbolizava, a seu modo, algo mais alto do que o simples fato de comer.

Alimentar-se é manter a vida. Mas o homem, criatura racional, não se alimenta como um bicho. A refeição é um ato familiar por excelência, e como ato social pede certo protocolo, certo cerimonial. Protocolo e cerimonial que impõem ao homem o exercício da virtude da temperança, pois são baseados na lei de Deus; Amar ao próximo como ati mesmo. Daí vem o respeito, hierarquia, o desejo de servir ao outro.

Em remotíssima era, já vemos Abraão desdobrar-se em gentilezas para oferecer hospitalidade a três desconhecidos que passavam por sua tenda. Na realidade eram anjos que vinham anunciar-lhe a vocação de patriarca (Gen. 18, 1-8). E o melhor ato de cortesia era oferecer uma refeição aos viajantes.

Após a Ressurreição, apareceu Jesus aos discípulos de Emaús e comeu com eles. O mesmo fez com os Apóstolos surpresos: “Tendes aí alguma coisa que se coma?“. Deram-Lhe uma posta de peixe assado; e, tomando-a, comeu diante deles (Lc 24, 41).

Por isso é natural que os homens dêem graças a Deus pelo alimento que recebem e peçam a bênção divina antes de começar uma refeição. Ainda que não se considere o aspecto religioso, a refeição é de si um ato humano que se reveste de dignidade.

Talvez se possa até medir o grau de civilização de um povo segundo o modo de ele se alimentar. O índice maior ou menor de solenidade nas refeições poderia significar progresso ou decadência.

Desse modo se condensou, ao longo dos séculos, uma série de normas sobre o modo de servir, regras de cortesia ou etiqueta, protocolos que indicam a posição dos comensais segundo a hierarquia social, constituindo um mundo de respeito que facilita e eleva o convívio social e a dignidade humana.

Entretanto, o cerimonial só tem autenticidade se praticado por pessoas que lhe dão valor. Ele pode alcançar a perfeição se tiver como lastro a caridade cristã, que manda amar o próximo como a si mesmo. Nesse caso, estabelece-se facilmente uma espécie de liturgia social na qual primam o respeito, a noção de honra, de cortesia e o desejo de fazer bem ao próximo.

A felicidade do convívio humano encontra-se sobretudo no amor ao próximo por amor de Deus.

 Quando os judeus fugiram do Egito com Moisés, Deus mandou-lhes do Céu o maná para alimentá-los. E nas vésperas de sua Paixão e Morte, Jesus quis que sua última ceia fosse ocasião para instituir o mais santo e sublime dos sacramentos: a Eucaristia, que é o próprio Corpo e Sangue de Cristo, com sua alma e divindade. Tendo Ele se encarnado, desejou que os homens participassem da graça divina pela Comunhão Eucarística. Haverá algo mais elevado? O Próprio Deus que se fez alimento espiritual e quer conviver intimamente com o comungante.


Prezamos pois, em fazer as refeições de um modo elevado, juntos com seus familiares e amigos, pois este convívio em meio a vida agitada e dispersiva de nossas dias, é necessário para o bem estar e união de qualquer família.

Artur Afonso Campos

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