8 de outubro de 2013

A história de uma mão.





Rodrigo C. R. Aguiar

Capitel românico
Reis são figuras tirânicas; cruéis chefes de estado. Muitas vezes, é um sujeito fátuo e petulante, mas sempre é muito rico e poderoso. Até mesmo sua presença já exala desprezo a tudo que lhe seja inferior... Tal é a ideia propagada, e generalizada, atualmente. Na prática não era bem assim. É verdade que houve tiranos e péssimos reis, fato quase sempre comprovado em monarquias não católicas, que por seu orgulho e ambição põe-se longe do Rei e da Rainha dos céus. 



Vitral dos Imperadores, Catedral de Colônia
Houveram em contrapartida, reis tais como São Luís rei de França, São Fernando de Castela, Santo Eduardo da Inglaterra, São Canuto da Dinamarca entre muitos outros, sem contar os que, apesar de conhecidas as virtudes, não chegaram à honra dos altares, como Carlos Magno e Afonso Henriques de Portugal.

Para um exemplo mais concreto começaremos por olhar para trás no passado, no tempo em que na Grã-Bretanha existiam pequenas monarquias, praticamente tribais. Reis sentados em clareiras nas frias e úmidas florestas, rodeado por todos os seus súditos e ‘nobres’, cerca de duas centenas de pessoas, tratando de assuntos de extrema importância, relativos à segurança. Mais precisamente, a questão em pauta era o perigo vindo do continente... Os romanos. Cujo império já não via o sol se por, acabaram por dominar a ilha.

Anos depois a cena se repetia, porém com circunstâncias diversas. Era o governador romano da Britânia que agora tratava da segurança daquela parte dos domínios de César. As invasões bárbaras que assolavam todo o império não tardariam a chegar ali. E chegou.

Primeiro a religião obscura dos Druidas; depois o culto à Saturno, Netuno, Plutão e outras centenas de deuses; agora, trazida pelos Anglos e Saxões, a belicosa seita adoradora de Odin, Thor, Freya e outros tantos nomes estranhos.

Entretanto, sem exército, sem dominações à ferro e fogo, de modo silencioso, paulatino e eficaz, introduzia-se já a algum tempo através dos monges missionários, o catolicismo.
Imperador Constantino, convertido.

Não tardou para que a onde de conversões atingisse alguns reis Anglo-saxões, senhores dos pequenos e vários reinos então existentes como a Northúmbria, Mércia, Anglia Oriental, Essex, Wessex e etc.

Reinava no norte da atual Inglaterra, na Northúmbria, o rei convertido São Edwin. Com a morte do mesmo, sem deixar sucessão direta, o reino foi dividido em dois; os dois novos monarcas receberam o batismo, os dois recaíram na idolatria. “Funesto”, foi chamado este ano em que a idolatria voltava àquelas terras. “Castigo”, foi chamada a derrota em que ambos sofreram para os bretões vindos dos confins da ilha, rincões misteriosos cobertos pela densa bruma do paganismo.

 Ora, um desses reis, de nome Æthelfrith, rei da Bernícia, morto na batalha que lhe custou o reino, possuía onze filhos. Todos foram mandados para Escócia onde foram entregues aos cuidados dos beneditinos do Mosteiro de Iona. Lá, receberam sólida formação acadêmica e religiosa. Um desses filhos, de nome Osvaldo, distinto pelo belo porte e inteligência, era um hábil e capacitado estrategista militar. Treinado no potente exército do rei da Escócia que muito o estimava.

Aqui começa a história de Santo Osvaldo que continuaremos na próxima postagem.



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